Luís Castro tem o pior aproveitamento do Grêmio desde 2021? Veja os números
Desde 2021, nenhum treinador conseguiu consolidar um ciclo longo no Tricolor Gaúcho
Grêmio teve nove técnicos em menos de cinco anos e segue em busca de estabilidade
A derrota para o Corinthians antes da paralisação do calendário nacional reacendeu um debate que acompanha o Grêmio há anos: a dificuldade para manter um projeto técnico de longo prazo. Desde 2021, o Tricolor já passou por nove treinadores diferentes, entre trabalhos curtos, retornos de ídolos e trocas motivadas por crises de resultados.
Os números ajudam a explicar o cenário. Nenhum comandante conseguiu sustentar um ciclo duradouro, e os aproveitamentos oscilaram entre 47% e 64%. Mesmo nos períodos mais positivos, a continuidade nunca se consolidou.
Aproveitamento dos técnicos do Grêmio desde 2021

Tiago Nunes abriu o ciclo de mudanças
O primeiro capítulo da sequência começou em 2021 com Tiago Nunes. Contratado para liderar uma reformulação, o treinador conquistou o Campeonato Gaúcho, mas não conseguiu dar consistência ao desempenho da equipe no Brasileirão.
Foram 20 partidas, com dez vitórias, cinco empates e cinco derrotas, alcançando aproveitamento de 58,3%.
Felipão não evitou a crise
Após a saída de Tiago Nunes, a direção apostou no retorno de Felipão. Um dos maiores nomes da história gremista assumiu em meio à luta contra o rebaixamento.
Entretanto, os resultados ficaram abaixo do esperado. Em 21 jogos, o treinador registrou nove vitórias, três empates e nove derrotas, com aproveitamento de apenas 47,6%, um dos menores da série.
Mancini assumiu missão difícil
Vagner Mancini chegou para tentar evitar a queda à Série B. Apesar de apresentar números razoáveis, não conseguiu impedir o rebaixamento histórico do clube.
O treinador encerrou sua passagem com nove vitórias, três empates e seis derrotas em 18 partidas, alcançando 55,5% de aproveitamento.
Roger conduziu a reconstrução
Na Série B de 2022, Roger Machado assumiu a missão de recolocar o Grêmio na elite nacional.
Em 37 jogos, somou 17 vitórias, 12 empates e oito derrotas, atingindo 56,7% de aproveitamento. Mesmo próximo do acesso, acabou deixando o cargo antes da reta final.
Renato teve o melhor desempenho do período
Chamado novamente para concluir a campanha da Série B, Renato Portaluppi garantiu o retorno do clube à elite e iniciou um novo ciclo.
O auge veio em 2023. Naquele ano, o treinador comandou o Grêmio em 64 partidas, conquistou o Campeonato Gaúcho e a Recopa Gaúcha, além de levar a equipe ao vice-campeonato brasileiro.
Foram 37 vitórias, 12 empates e 15 derrotas, com aproveitamento de 64%, o melhor índice entre todos os treinadores do período analisado.
No ano seguinte, porém, os números despencaram. Em mais 64 jogos, Renato registrou 28 vitórias, 13 empates e 23 derrotas, caindo para 51% de aproveitamento.
Quinteros e Mano não conseguiram sequência
A temporada de 2025 também foi marcada por mudanças.
Gustavo Quinteros permaneceu pouco tempo no cargo e fechou sua passagem com 53,7% de aproveitamento em 18 partidas.
Na sequência, Mano Menezes assumiu a equipe, mas encontrou dificuldades para gerar evolução. Em 37 jogos, obteve 12 vitórias, 13 empates e 12 derrotas, repetindo o aproveitamento de 47,6%.
Além disso, o time marcou e sofreu exatamente 42 gols durante seu comando.
Luís Castro busca quebrar o ciclo
Atual treinador gremista, Luís Castro conquistou o Campeonato Gaúcho de 2026, mas ainda busca consolidar um trabalho capaz de interromper a sequência de trocas frequentes.
Seu aproveitamento atual gira entre 50% e 54,6%, dependendo do recorte analisado. Os números o colocam próximo da média dos treinadores que passaram pelo clube nos últimos anos.
A pausa provocada pela Copa do Mundo oferece uma oportunidade rara para treinamentos e ajustes. Ao mesmo tempo, aumenta a pressão para que o português apresente evolução no segundo semestre.
Quantidade de jogos por treinador desde 2021

- Renato Portaluppi (2023): 64 jogos
- Renato Portaluppi (2024): 64 jogos
- Roger Machado: 37 jogos
- Mano Menezes: 37 jogos
- Felipão: 21 jogos
- Tiago Nunes: 20 jogos
- Vagner Mancini: 18 jogos
- Gustavo Quinteros: 18 jogos
- Renato Portaluppi (2022): 10 jogos
O que os números revelam?
Mais do que resultados isolados, os dados mostram a dificuldade do Grêmio em manter uma linha de trabalho contínua desde 2021.
Nos últimos cinco anos, apenas Renato conseguiu superar os 60% de aproveitamento. Ao mesmo tempo, quatro treinadores terminaram seus trabalhos abaixo dos 55%.
A falta de estabilidade se reflete diretamente em campo. Mudanças frequentes de metodologia, elenco e modelo de jogo impediram a construção de um projeto duradouro.
Agora, com Luís Castro no comando e uma nova janela de transferências pela frente, o Grêmio tenta transformar a exceção em regra: manter um treinador por tempo suficiente para construir algo sólido e competitivo.
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