Impedimento semiautomático muda o Brasileirão e pode reduzir a venda de mandos dos clubes
Com a nova tecnologia em todos os estádios da Série A e na Arena Barueri, a CBF também impõe um limite prático para partidas disputadas em praças alternativas
Opinião: impedimento semiautomático muda o Brasileirão e reduz espaço para a venda de mandos
A confirmação da implantação do impedimento semiautomático (SAOT) pela CBF representa um avanço importante para a arbitragem brasileira. A tecnologia promete reduzir o tempo de análise dos lances, aumentar a precisão das decisões e aproximar o Campeonato Brasileiro dos principais torneios do mundo.
Mas existe um efeito colateral que vai muito além da arbitragem. A partir da estreia do sistema, os clubes passam a enfrentar uma nova realidade: os jogos da Série A precisarão acontecer em estádios preparados para receber a tecnologia.
Venda de mando perde força
Nos últimos anos, a venda de mandos de campo se tornou um produto frequente no futebol brasileiro. Clubes levaram partidas para diferentes cidades em busca de maior arrecadação, novos mercados ou acordos comerciais.
Com o SAOT instalado apenas nos 19 estádios utilizados pelos clubes da Série A, além da Arena Barueri, esse cenário muda.
Não significa que a venda de mando acabou. Ela continuará existindo, mas ficará limitada aos estádios que contam com toda a infraestrutura exigida pela CBF.
Na prática, isso reduz significativamente o número de opções disponíveis.
Menos improviso, mais planejamento
A mudança também obriga os clubes a planejarem melhor suas decisões.
Levar um jogo para um estádio sem a tecnologia deixa de ser uma possibilidade, salvo situações excepcionais previstas pela própria CBF. O calendário, a logística e até as negociações comerciais passam a depender da estrutura tecnológica da arena escolhida.
Isso tende a diminuir partidas em locais improvisados e fortalece os estádios que já atendem aos padrões exigidos pela entidade.
O Grêmio também sente os efeitos
Para o Grêmio, a novidade praticamente não altera a rotina como mandante. A Arena já reúne a estrutura necessária para receber o sistema.
Por outro lado, o clube pode encontrar menos adversários vendendo mandos para cidades distantes ao longo do Brasileirão. Nos últimos anos, esse tipo de estratégia mudou o ambiente de diversas partidas, retirando confrontos de seus locais tradicionais.
Com a implantação do impedimento semiautomático, esse movimento tende a perder força.
Não é o fim da venda de mandos. Mas é, sem dúvida, um freio importante.
A CBF buscava modernizar a arbitragem. Como consequência, também criou um obstáculo para um modelo de negócio que ganhou espaço nas últimas temporadas. Em alguns casos, a tecnologia não mudará apenas a forma como os impedimentos serão marcados. Ela também influenciará onde o Campeonato Brasileiro poderá ser disputado.
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