Opinião: se Luís Castro faz um trabalho tão bom, por que ele não aparece no Grêmio?
Após Luciano Périco questionar em sua coluna na GZH os elogios da direção ao treinador, desempenho dentro de campo aumenta a distância entre discurso e realidade

Opinião: se o trabalho de Luís Castro é tão bom, por que ninguém consegue enxergá-lo no Grêmio?
A defesa pública que a direção do Grêmio continua fazendo de Luís Castro começa a produzir uma pergunta inevitável: onde está, dentro de campo, esse trabalho tão elogiado nos bastidores? Depois da goleada por 3 a 0 para o Atlético-MG, Paulo Pelaipe voltou a respaldar o português. Só que a distância entre aquilo que os dirigentes dizem enxergar e aquilo que o time apresenta nas partidas está cada vez maior.
Em sua coluna na GZH, Luciano Périco, narrador da Gaúcha e RBS TV, levantou exatamente essa discussão. O jornalista foi direto ao afirmar que, se a direção realmente considera muito bom o trabalho interno de Castro, “a situação é bem preocupante”. É difícil discordar. Futebol não permite que um trabalho permaneça eternamente escondido atrás dos portões do CT. Em algum momento, aquilo que é treinado precisa aparecer quando o árbitro apita.
Lucianinho faz uma provocação que deveria incomodar o Grêmio
Luciano Périco fez uma provocação interessante em sua coluna: se o trabalho realizado durante a semana é tão bom, por que não abrir os treinamentos para que todos possam enxergá-lo? Evidentemente, existe ironia nessa sugestão. O ponto central é outro: nos jogos, essa qualidade simplesmente não aparece.
E talvez essa seja uma das críticas mais difíceis de rebater sobre Luís Castro. O problema não é somente perder partidas. Times em construção perdem. Treinadores competentes atravessam momentos ruins. O que incomoda é chegar a agosto e ainda ser difícil explicar como exatamente o Grêmio de Luís Castro pretende jogar futebol.
Onde está o padrão ofensivo? Qual é a jogada trabalhada? Como funciona a pressão depois da perda da bola? Qual é a conexão entre meio-campo e ataque? Por que tantas vezes Carlos Vinícius fica isolado esperando uma bola aproveitável?
Périco resumiu muito bem esse último problema ao escrever que “o coletivo detona as individualidades”. Carlos Vinícius é o maior exemplo. O Grêmio possui um centroavante que empilha gols desde sua chegada, mas frequentemente oferece tão pouco ao atacante que parece exigir dele a criação e a conclusão da própria jogada.
O problema já não pode ser falta de tempo
Janeiro ficou para trás há muito tempo. O Grêmio atravessou meses de temporada, teve período prolongado de treinamentos durante a paralisação para a Copa do Mundo e recebeu reforços. Luís Castro teve oportunidades suficientes para deixar pelo menos alguns conceitos reconhecíveis.
Por isso, utilizar apenas a palavra “processo” já não responde aos questionamentos. Um processo precisa apresentar etapas de evolução. Mesmo que o produto final ainda esteja distante, alguma transformação deveria ser perceptível.
Contra o Atlético-MG, depois de uma semana inteira para trabalhar, apareceu justamente o contrário. O Grêmio foi dominado, perdeu por 3 a 0 e terminou a partida com seu próprio goleiro reconhecendo publicamente que a equipe não competiu como deveria.
A direção também passa a ser responsável
Se Paulo Pelaipe e os demais dirigentes acreditam profundamente em Luís Castro, tudo bem. Mas essa convicção transforma a direção em corresponsável pelo que acontecer daqui para frente.
Não será possível, caso a situação se agrave, agir como se os sinais não estivessem aparecendo. Eles estão. O Grêmio permanece na parte inferior do Brasileirão, ainda busca sua primeira vitória fora de casa e continua apresentando enormes dificuldades coletivas.
Jornalista questiona onde está o excelente trabalho citado pelos dirigentes. A pergunta merece permanecer sobre a mesa. Porque talvez Luís Castro realmente desenvolva atividades extraordinárias no CT Luiz Carvalho. O problema é que o Campeonato Brasileiro não distribui pontos pelo treinamento de terça-feira.
O Grêmio precisa mostrar organização, competitividade e futebol quando vale ponto. Enquanto isso não acontecer, cada novo elogio da direção ao trabalho interno de Luís Castro apenas tornará mais evidente a contradição: se tudo funciona tão bem durante a semana, por que funciona tão mal quando chega o domingo?
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