Relembre como a EY, empresa contratada pelo Grêmio, ajudou o Flamengo
Executivo detalha estratégia aplicada em 2013, destaca governança e mostra por que o Rubro-Negro virou exemplo de gestão sustentável

EY revela bastidores da virada financeira do Flamengo e explica modelo que virou referência no futebol
A recuperação financeira do Flamengo ganhou status de estudo de caso no futebol brasileiro. Em 2013, o clube vivia o cenário mais delicado de sua história fora de campo. Endividado e pressionado, o Rubro-Negro precisou mudar a forma de pensar e de gerir. Esse processo contou com a participação direta da Ernst & Young (EY), uma das maiores consultorias do mundo.
O diretor executivo da EY, Pedro Daniel, explicou os bastidores dessa transformação. Segundo ele, o Flamengo se tornou o primeiro grande exemplo escolhido pela empresa para aplicar conceitos modernos de governança no futebol nacional.
Diagnóstico duro e mudança de mentalidade
Pedro Daniel foi direto ao lembrar o cenário encontrado pela EY. O Flamengo acumulava a maior dívida do país. Em qualquer outro setor da economia, a situação indicaria regime falimentar. Ainda assim, o clube decidiu enfrentar o problema com planejamento e disciplina.
O então presidente Eduardo Bandeira de Mello liderou a renegociação das dívidas. A partir disso, a EY estruturou o plano em três pilares claros. O primeiro buscou recuperar a credibilidade do clube. O segundo mirou novas receitas, sempre ligadas ao desempenho esportivo. O terceiro apostou no protagonismo fora de campo.
Esse modelo alinhou expectativas internas e externas. Além disso, mostrou ao mercado que gestão responsável gera resultados esportivos no médio e longo prazo.
Resistência interna e pressão da torcida
O processo não ocorreu sem conflitos. Pedro Daniel relembrou a forte resistência interna às mudanças. A torcida também pressionava por resultados imediatos. Mesmo assim, o clube manteve o rumo.
A diretoria institucionalizou os processos. Atualizou o estatuto. Buscou inovação. Criou uma cultura de responsabilidade financeira. Essas decisões pavimentaram o caminho para uma nova fase.
Segundo o executivo, o projeto exigiu paciência. Porém, garantiu solidez. O Flamengo começou a colher resultados esportivos em 2017 e 2018. Em 2019, viveu o auge com títulos e protagonismo internacional.
Modelo orgânico e sustentável virou referência
Pedro Daniel destacou um ponto central. O Flamengo não recebeu aportes externos. O clube apostou em crescimento orgânico. Esse caminho demorou mais. Contudo, entregou sustentabilidade.
Para ele, o futebol resistia à ideia de governança. Essa barreira caiu. Hoje, clubes entendem que o futebol possui peculiaridades, mas segue regras semelhantes a qualquer indústria.
O caso Flamengo mostrou que organização fora de campo define sucesso dentro dele. Por isso, a experiência segue como referência para clubes que buscam equilíbrio financeiro e competitividade esportiva.
